Gestantes russas têm procurado João Pessoa para fazer o acompanhamento da gravidez e dar à luz, em busca de um atendimento que descrevem como mais acolhedor. A mudança pode envolver um deslocamento de quase 10 mil quilômetros desde Moscou.
O ginecologista e obstetra Guilherme Carvalho afirma que a procura de pacientes russas se intensificou há cerca de um ano e meio. Na ocasião da entrevista, ele acompanhava 12 gestantes russas.
Entre as mulheres está Viktoriia Baskakova, que vive na capital paraibana, teve uma filha na cidade e está grávida do quinto filho. Ela também atua como doula e oferece apoio a gestantes que vivem longe do país de origem.
A comunicação durante as consultas e as razões para a escolha do Brasil fazem parte do relato. Dados do governo federal apontam que cerca de 60 mil cidadãos russos entraram no país entre março de 2022 e os últimos meses de 2025.
Acolhimento e custos influenciam a escolha de João Pessoa
Ao comparar a assistência recebida no Brasil com a experiência que conhecia na Rússia, Viktoriia Baskakova disse sentir que as gestantes são tratadas com mais atenção na capital paraibana. Ela relatou que, em seu país de origem, não há a mesma valorização das grávidas que percebe no Brasil.
Viktoriia também apontou obstáculos para ter um acompanhante no parto na Rússia: segundo ela, esse serviço costuma custar caro e nem sempre conta com o apoio dos médicos. A imigrante afirmou ainda que considera mais intensas algumas intervenções médicas realizadas no país.
Os custos dos serviços de saúde e as diferenças no atendimento influenciaram a decisão de Viktoriia de permanecer no Brasil. A doutora em Relações Internacionais Leila Bijos também citou a menor restrição brasileira a partos por cesárea como um fator que pode atrair mulheres russas.
Tradução nas consultas e contexto da imigração russa
A barreira do idioma é contornada, em geral, com o apoio de tradutoras nas consultas, segundo a doula Thayana Jovino. Em alguns atendimentos, profissionais e pacientes recorrem a plataformas de tradução para manter a comunicação durante o acompanhamento da gravidez.
O ginecologista e obstetra Guilherme Carvalho usa um equipamento que traduz as falas em tempo real entre português e russo. Ele também adapta prontuários, receitas e materiais com orientações sobre os cuidados na gestação para o idioma das pacientes.
Além das gestantes, os dados federais registraram que 1.094 pessoas de origem russa obtiveram cidadania brasileira entre 2024 e 2025. Leila Bijos relacionou a imigração a fatores geopolíticos e afirmou que a mudança para países vizinhos nem sempre é simples; segundo a especialista, mulheres russas também sentem falta de conversar e trocar experiências durante a gravidez.


